JOSÉ ANTONIO FARES

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Curitiba será palco para discussões sobre o impacto do clima nos negócios

Entre os dias 04 e 06 de novembro, será realizado o BAWB Global Forum America Latina 2009, trazendo o tema: Competências Estratégicas para os Negócios frente às mudanças climáticas.

O objetivo para este ano é identificar conhecimentos, atributos e competências necessárias para que sociedade, empresas, instituições de ensino superior e poder público possam lidar com os desafios das mudanças climáticas e buscar ações inovadoras para a sustentabilidade da vida humana em nosso planeta. Saiba mais: http://www.globalforum.com.br/

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Por que a Sustentabilidade é hoje o maior motor da Inovação

Ram Nidumolu, C.K. Prahalad e M. R. Rangaswami


Quando uma empresa investe em Sustentabilidade, geralmente é para mostrar que tem Responsabilidade Social. Espera-se que a iniciativa aumente seus custos, não traga benefício financeiro imediato e provavelmente derrube sua competitividade.
Já autoridades e ativistas acham que será preciso endurecer as regras e educar e organizar o público consumidor para obrigar empresas a adotarem práticas sustentáveis.
Para os autores deste artigo, a busca da sustentabilidade pode abrir um rico filão de inovações organizacionais e tecnológicas, inovações capazes de gerar tanto receita quanto lucro. Esta busca já começa a transformar o cenário competitivo, com empresas reformulando produtos, tecnologias, processos e novos modelos de negócios.
Ao equiparar desde já estes dois temas Sustentabilidade e Inovação, uma empresa pode lançar as bases para liderar quando a crise chegar ao fim.
Os autores acreditam que o caminho rumo à sustentabilidade envolve cinco estágios distintos de mudança na empresa:
1 - Encarar respeito a normas como oportunidade;
2 - Tornar a cadeia de valor sustentável;
3 - Criar produtos e serviços sustentáveis;
4 - Criar novos modelos de negócios;
5 - Criar plataformas de "próximas práticas".
Eles enumeram os desafios envolvidos em cada estágio desses e os recursos exigidos para sua superação.

Fonte: Newsletter Harvard Business Review Brasil - www.hbrbr.com.br

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Fritjof Capra - A Renascença verde


Na opinião de Fritjof Capra, como todas as formas de vida se organizam em redes e são marcadas por claras relações de interdependência, impõe-se como tarefa urgente mudar o atual modelo mental baseado no humanismo individualista. No lugar de buscar o que extrair da natureza, deve-se aprender a partir dela, alfabetizar-se ecologicamente, desenvolvendo a capacidade de compreender os princípios básicos da natureza e viver segundo eles.
O grande desafio em sua visão é o de criar e manter comunidades sustentáveis, concebidas de modo que suas formas de vida, negócios, economias e tecnologias não prejudiquem a vocação da natureza de sustentar a vida. Para ele, a causa de muitos dos problemas atuais está relacionada ao fato de que a civilização ignorou os padrões e dinâmicas dos ecossistemas, interferindo neles de modo drástico.
A realidade – acredita – exige uma revisão. Hoje, o mercado global funciona como “uma espécie de rede de máquinas programas para pensar o lucro antes dos direitos humanos, da democracia e da proteção ambiental.” Organiza-se a partir de fluxos financeiros, sempre nervosos. Tecnologias de comunicação e informação sofisticadas possibilitam que o capital se mova rapidamente em busca de novas oportunidades de investimento. “O problema central é que a economia global foi desenhada sem nenhuma dimensão ética.”, dispara.
Segundo Capra, um desafio-chave é como adaptar-se de um sistema baseado na noção de crescimento ilimitado (“impossível para um planeta finito”) para uma outra que seja, ao mesmo tempo, sustentável e justa. O físico não é, claro, contra o crescimento, que considera um atributo central de toda espécie de vida. “Sociedade ou economia que não crescem acabam morrendo”, diz. O que defende é um crescimento não linear nem ilimitado, que classifica como “qualitativo”, bastante conhecido entre biólogos e ecologistas. Em organismos vivos, ecossistemas e sociedades, o crescimento qualitativo consiste em um aumento da complexidade e uma maturidade que aperfeiçoam, e não prejudicam, a qualidade de vida. Desmaterializar a economia, por exemplo, será uma ação necessária no sentido de um crescimento qualitativo.
Às empresas e governos, Capra faz um alerta: em vez de avaliar o estado da economia a partir de medidas “simplórias” como o PIB, a humanidade terá que distinguir o crescimento “bom” do “ruim”. O “ruim” relaciona-se a processos de produção e serviços baseados em combustíveis fósseis e substâncias tóxicas que geram escassez de recursos naturais e degradação dos ecossistemas. O “bom” refere-se a processos e serviços mais eficientes com energias renováveis, emissões zero, reciclagem contínua e restauração dos ecossistemas. Como dispomos de conhecimento, tecnologia e recursos financeiros, a escolha certa depende agora apenas de vontade política e liderança.

Se você ainda não leu Capra, um clássico na linha “Para Entender Sustentabilidade”, pode começar pelo seu mais recente livro A Ciência de Leonardo Da Vinci (Editora Cultrix, 2008).

Fonte: Revista Ideia Socioambiental - entrevista concedida à Juliana Lopes.

Por: Ricardo Voltolini - publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor de Ideia Sustentável: Estratégia e Liderança em Sustentabilidade - ricardo@ideiasustentável.com.br

Sustentabilidade em cinco etapas

Que o desenvolvimento sustentável está completamente atrelado aos ideais de inovação Ricardo Voltolini não tem dúvida. Para o especialista, no entanto, a implementação de uma cultura de inovação baseada na sustentabilidade faz parte de um processo que é gradual e deve passar necessariamente por cinco etapas:

1 -Escolher questões do seu negócio que repercutirão em seus clientes, procurando atender suas necessidades referentes as questões socioambientais.
2 - Envolver os fornecedores, para que as operações fiquem mais sustentáveis;
3 - Concentrar-se naquilo que a empresa conhece e faz melhor;
4 - Antecipar-se às mudanças transformando o que seriam desafios para os clientes em oportunidades de negócios,
5- E capacitar seus funcionários, para que eles percebam as oportunidades e ajudem a construí-las. O papel do consumidor também é fundamental para a formação desse cenário, o que já pode ser visto com o aumento do número de consumidores preocupados com as causas ambientais e dispostos a pagar mais por produtos e serviços verdes. Voltolini conta que o cenário é positivo em todo o mundo, inclusive no Brasil, e aposta na equivalência nos preços de produtos ecologicamente corretos aos convencionais, de origem poluente, no médio prazo. “Com uma procura maior por parte dos consumidores pelos produtos verdes, o movimento acontecerá pela simples lei de oferta e demanda: quanto mais as pessoas consomem, mais as empresas produzem, sendo maior a tendência de os preços se alinharem aos demais produtos do mercado, com a diferença que os produtos verdes têm um apelo forte de valor”.

Fonte: http://www.ideiasocioambiental.com.br/destaques.php?codTemaDestaques=87&titulo=Inovação%20sustentável&codDestaques=127

Inovação Sustentável

Como conduzir os esforços de inovação para uma economia sustentável?
Foi essa a reflexão proposta por Ricardo Voltolini no Universo Qualidade, evento realizado em São Paulo, na última semana de agosto. Com o mote Inovação: pensar e agir diferente para liderar, o debate contou ainda com a participação de José Miguel Chaddad, consultor da Anpei – Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, e Silvio Meira, cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife – (C.E.S.A.R).
Chaddad abordou a necessidade por inovação, sobretudo em um cenário de crise. Enquanto Meira ressaltou a importância da questão tecnológica para a evolução humana. Voltolini, por sua vez, trouxe para o debate a questão da sustentabilidade. Segundo ele, o esgotamento dos recursos naturais exige que repensemos os modelos de produção e consumo atuais. “A negação do processo de extração, produção e descarte, herdado da longínqua era industrial, deve ser o ponto de partida desse processo de mudança”, destaca. Dessa forma, como tornar uma empresa competitiva em um cenário de fragilidade ambiental? A saída, segundo o consultor, é buscar a intersecção entre os interesses dos negócios, os da sociedade e os do planeta, além do fortalecimento nas relações com seus públicos de interesse. “As organizações terão que ser flexíveis, não fragmentadas, facilitar o diálogo, ser tolerantes às diferenças, menos hierárquicas, um tanto caóticas - porque um pouco de caos controlado ajuda na criação - e abertas à colaboração dos públicos de interesse”, conta.
Ainda de acordo com Voltolini, para que a mudança no modelo de desenvolvimento aconteça na prática, será necessário fazer uma transformação nos modelos mentais, que já pode ser vislumbrada pela crescente onda verde que se instala na pauta dos grandes investidores, mesmo a despeito da crise. A onda é baseada em duas fontes de pressão: a primeira provém do sentimento de que os limites do planeta vão restringir as operações de negócios, redesenhando mercados. Já a segunda resulta do crescente número de indivíduos sensíveis às questões ambientais. “Para atuar de modo sustentável, as empresas deverão investir em inovação, seja em tecnologias, serviços ou produtos. Elas terão quer ser vivas, educadoras, aprendizes e assemelhadas às estruturas dos sistemas biológicos”.
Algumas soluções no âmbito empresarial, de acordo com Voltolini, estão na redução da quantidade de matéria-prima e energia por unidade produzida, na desmaterialização de produtos, no investimento em ecodesign, na eliminação de sustâncias tóxicas e no aumento da vida útil dos produtos. Ele conta ainda que o conceito de inovação não implica necessariamente a criação de novos produtos, já que esse movimento demandaria ainda mais recursos naturais para sua produção, distanciando a transformação verde das condições de fornecimento do planeta.
Um dos cases inovadores destacados pelo especialista foi o restabelecimento da Nike, que saiu de um processo de acusações de irresponsabilidade social nos anos 1990, para a criação de um grupo de estratégias sustentáveis, que integrou os departamentos de inovação, designers, gerentes de produto e engenheiros. A empresa também implantou um planejamento participativo para estimular a sugestão de idéias, estabelecendo metas verdes. “Os resultados mostram que a fabricante de calçados conseguiu ter padrões elevados na redução de desperdícios e responsabilidade coletiva na fabricação, investindo na equação do sucesso pautada na geração de riqueza, equilíbrio ambiental e justiça social”, afirma.
Criou uma linha de vestuário inteiramente à base de algodão orgânico, uma resposta para o histórico de produções dependentes da utilização do petróleo. Também livrou-se das toxinas químicas contidas em componentes de peças de borracha utilizados na fabricação de seus tênis; retirou completamente os solventes dos processos de manufatura e começou a pesquisar e utilizar materiais alternativos ao PVC em toda a sua linha de produtos.

A Arquitetura molda a nossa vida

Ao falar nesta segunda-feira (7/9) na abertura do Simpósio Internacional sobre a Cidade Sustentável - A Metrópole do Futuro, o ministro da Cultura e da Comunicação da França, Frédéric Miterrand, afirmou que o acervo do passado mostra que “a arquitetura molda a nossa vida”. De acordo com o ministro, retrabalhar as cidades será a partir de agora a temática para homens e mulheres também na França, onde Paris “é um grande canteiro”. Ele disse que a arquitetura brasileira tem reflexo muito grande na arquitetura mundial e também em seu país.
O ministro francês afirmou que ao completar em 2010 seus 50 anos de fundação, Brasília é a cidade da arquitetura mundial, que dá a lição de que “o bonito é uma promessa de felicidade”.
Miterrand alertou, no entanto, que é preciso pensar no sofrimento dos cidadãos dos grandes centros do mundo, que vivem o stress do trânsito quando se deslocam para o trabalho. Segundo o ministro, é necessário “procurar contornar essa fratura social para que quando a pessoa estiver em casa, descansando com seus filhos, não fique na expectativa de que o dia seguinte será um calvário”.
O ministro francês disse que insiste “com obsessão” em seu país pela melhora do sistema de transportes, pois entende que a cidade moderna deve promover a democracia e a felicidade”.
A França, de acordo com Frédéric Miterrand, está procurando resgatar a volta das cidades natureza, que além dos parques precisam ter também florestas e agricultura, “um eixo que ainda não tinha sido pensado. Isso é oportuno porque estamos vivendo em economia de escala diferente nos dias de hoje”.

O Simpósio Internacional sobre a Cidade Sustentável - A Metrópole do Futuro, encerra-se hoje, quarta-feira (9), com a participação de arquitetos, urbanistas, paisagistas, pensadores e observadores da cidade contemporânea do Brasil, da França, da Inglaterra, da Itália e da Alemanha. Eles vão abordar a nova geografia da cidade, a mobilidade contemporânea, como morar mais e melhor e o novo conceito de cidade. O evento foi organizado pelo governo da França como parte do Ano da França no Brasil.
Fonte: Agência Brasil - Repórter Lourenço Canuto
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/07/materia.2009-09-07.2524760537/view

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A trilha para o progresso não será um passeio


José Eli da Veiga, para o Valor, de Cambridge
"Sustainable Development Indicators in Ecological Economics" - Philip Lawn.
Edward Elgar, 467 págs.
Ainda não existe melhor referência sobre o desafio do desenvolvimento sustentável do que este livro organizado por Philip Lawn, professor da Universidade de Flinders (Adelaide, Austrália).
Nenhum outro livro sobre o tema conseguiu corresponder ao duplo desafio de fornecer panorama tão completo, bem informado e atualizado dos indicadores.

Neste livro, encontra-se uma síntese do que de melhor já se produziu sobre a difícil operacionalização de recente valor que pode ter emplacado no discurso, mas que continua longe de se fazer sentir na prática. E a principal razão dessa imensa distância entre intenções e gestos está exatamente no conflito entre a idéia de riqueza e a consagrada maneira de medir o nível da atividade econômica (via produto ou renda). Ou pior: no abuso de usá-la como se pudesse servir para avaliar coisas bem diversas, como a qualidade de vida, o bem-estar, e, sobretudo, o progresso e a civilização.
Apesar de já existirem métodos bem razoáveis para se estimar a evolução desses outros anseios, uma profunda inércia institucional faz com que tudo continue girando apenas em torno do PIB e seu per capita, que não passam de precárias aproximações da renda das nações e dos indivíduos.
Não há indicador que consiga revelar simultaneamente grau de sustentabilidade do processo socio econômico e grau da qualidade de vida que dele decorre. Talvez sejam dois lados de uma mesma moeda, mas nenhum método contábil ou estatístico permite que ambos sejam expressos por uma única fórmula sintética. Isso significa que a maneira de bem utilizar tais indicadores na orientação de políticas, requer necessariamente alguma consorciação. Por exemplo, o emprego do "Indicador de Progresso Genuíno" ao lado da "Pegada Ecológica" (com sua inerente comparação àbio capacidade) pode mostrar se um país está se aproximando ou excedendo seu nível macro econômico. Ou, ainda mais crucial, a que distância se encontra de seu ponto máximo de sustentabilidade. A combinação desses indicadores é capaz de revelar possibilidades de declínio econômico e de catástrofe ecológica.
Todavia, para se concordar que é essa a melhor opção, há um longo caminho a ser percorrido. Primeiro, porque não há a mínima chance de se operacionalizar a idéia de desenvolvimento sustentável sem que se obtenha uma definição mais precisa do que as mais conhecidas, que pululam em documentos oficiais, de partidos e sindicatos, de grandes empresas ou de organizações não-governamentais. Depois, porque esse processo de estreitamento da definição não pode ser arbitrário. Só terá sentido se apoiado em método científico.
O inevitável ponto de partida é a rejeição daquela proposta tão batida de se estabelecer as pontes faltantes entre a economia, a vida social e a base ecológica, como se esses fossem três sistemas independentes. O leitor talvez já esteja farto de se deparar com diagramas cheios de flechas, sejam triangulares ou com três esferas. Seu uso só mostra quanto se está longe da ciência (evolução darwiniana) e, mais especificamente, do conceito de co-evolução que preside a interdependência desses subsistemas.
O segundo passo está ligado à obrigação de se detonar arquétipo tão ou mais trivial, realimentado por outro diagrama onipresente em qualquer manual de aprendizado da ciência econômica. Descreve um sistema que não dependeria de entrada de energia solar, nem geraria rejeitos, principalmente na forma de calor. Como se a economia só girasse em torno de seu próprio umbigo, sem nada retirar ou devolver ao restante do universo.
Feitos esses dois avanços fundamentais, será possível começar a entender fatores biofísicos, psicológicos, econômicos e socioculturais que se entrelaçam na idéia de desenvolvimento sustentável. E assim se perceberá que nenhuma nação poderá pegar o caminho do desenvolvimento sustentável se não cumprir o seguinte requisito: melhorar a qualidade devida de cada cidadão - no presente e no futuro - com um nível de uso dos ecossistemas que não exceda a capacidade regenerativa e assimiladora derejeitos do ambiente natural. Quando tal requisito for cumprido, o país certamente estará contribuindo para a manutenção dos processos evolutivos da biosfera.
Todavia, é justamente essa ampla definição que não será traduzida em indicadores operacionais se não for submetida a um sério processo de afunilamento. E não existe uma trilha segura pela qual se passeie em busca dessa precisão. Ao contrário, os excelentes textos reunidos nessa obra dePhilip Lawn permitem assistir a uma verdadeira corrida de obstáculos teóricos, motivados principalmente pelas ambigüidades que sempre caracterizaram as noções de renda, riqueza e bem-estar. Dois rivais parecem ser os favoritos da prova: a "Poupança Genuína", patrocinada e calculada pelo Banco Mundial, e o já mencionado "Indicador de Progresso Genuíno", principal sucessor do ultra-pioneiro "Índice de Bem-Estar Econômico Sustentável", proposto em 1989 por Herman Daly e John Cobb.
Podem serexaminados em www.worldbank.org e http://www.rprogress.org/ .

José Eli da Veiga é professor titular do departamento de economia da FEA-USP. Com apoio da Fapesp, está na Universidade de Cambridge como pesquisador associado do "Capability & Sustainability Centre". Página web: www.zeeli.pro.br
VALOR, Quinta-feira 08/05/2008